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Os golpes das passagens aéreas muito baratas (com ou sem milhas)

Não é de hoje que pessoas são enganadas ou se deixam enganar com a promessa de passagens aéreas muito abaixo do preço de mercado.
O que pra muitos já cheira mal de longe, às vezes consegue enganar até os mais experientes em viagens.
Quero abrir aqui um debate sobre esse assunto, porque acho impossível esgotar esse tema, visto que a cada dia surgem novos “golpes” vindo inclusive das próprias cias aéreas.

Muitos de vocês já leram ou ouviram notícias sobre agências, pessoas e até cias aéreas vendendo passagens aéreas muito abaixo do preço.

Quero reforçar minha teoria, NÃO EXISTE MILAGRE, tudo possui um custo financeiro.
Se você começou a juntar milhas já percebeu que não é uma tarefa simples e também já se perguntou como é possível para algumas pessoas lucrarem com isso. Pois é, já tentei fazer essa conta dezenas de vezes, partindo do preço que dizem cobrar por uma passagem aérea mais barata que é emitida com milhas, a conta simplesmente não fecha.
Imagino que a única hipótese em que essa conta poderia fechar, a de um alto executivo que viaja de avião pelo menos duas vezes por semana na mesma cia aérea e as passagens são pagas pela empresa. De fato essas milhas seriam de acúmulo gratuito para esse passageiro, mas ainda assim não seriam suficientes para que ele vivesse de vender milhas. Vamos lembrar que ele ou ela já trabalha, o que reduziria seu tempo e interesse em entrar nesse ramo. Vamos lembrar ainda que ele ou ela também pode querer usar as milhas para uma viagem de lazer ou presentear um familiar, mais um ponto contra para querer vender as tais milhas. Facilmente eu imagino muito mais hipóteses em que essa pessoa consuma o próprio acúmulo de milhas antes de pensar em vender.
Mas, como tudo é possível, alguns acumuladores de milhas as vendem diretamente para os consumidores finais ou para empresas que fazem a intermediação na emissão de Passagens com milhas de terceiros. O valor pago por cada lote de mil milhas é irrisório, pelo menos 2/3 a menor do que a própria cia aérea cobra quando vende com 50% de desconto. E mais, para cada programa de fidelidade é pago um valor, não pense que suas milhas na Azul valem a mesma coisa que as da LATAM, por exemplo. De novo a conta só vai fechar para valer a pena se imaginarmos uma pessoa que acumula gratuitamente e não suporta mais viajar de avião para lugar nenhum do mundo, não tem ninguém na família que se beneficiaria das milhas, e precisa de dinheiro (o que acho pouco provável, já que hipoteticamente falando descobrimos que esse é o perfil de um executivo).
Eu não vou concluir nada, vou deixar para vocês pensarem. Vamos seguir com o tema a partir de outra abordagem.
Saindo do foco sobre as pessoas e empresas que vendem as passagens com milhas aéreas, vamos falar das próprias cias aéreas e seus fabulosos programas de fidelidade e a moda do momento, os clubes de milhagens. Pois bem, todas as semanas recebo as mesmas perguntas sobre clubes de milhagem, se eles valem a pena e até se a adesão é obrigatória para fazer parte do programa de fidelidade da cia aérea. Uma adesão não obriga a outra. Então os clubes de milhas são de adesão opcional.
Aparentemente e para alguns poucos casos aderir ao clube é vantajoso. Mas, cuidado! Se você está pensando em já ir se cadastrando em um clube de milhas, observe que essa vantagem tem que ser aproveitada quase que de forma imediata, sim, como daqui a menos de um mês. Do contrário, você estará pagando de forma parcelada por uma passagem que ainda nem sabe quanto vai custar. Vou explicar melhor.
Quando as cias aéreas anunciam promoções de acúmulo de milhas, por transferências de pontos do cartão de crédito, ou compras em parceiros não aéreos, e quase que em conjunto os blogs especializados fazem matérias sobre a vantagem de aproveitar essas promoções, porque com x reais é possível emitir uma passagem que valeria y só utilizando uma estratégia que une promoções da cia e a adesão em um clube de pontos, essa é uma oportunidade de uso imediata. A análise toda é feita com base no valor das passagens para emissão naquele momento, levando em consideração a disponibilidade de voos que a cia aérea apresenta naquele momento, e comparando com os preços em reais praticados naquele momento.
Não se engane, em poucas semanas, todo esse cenário se modifica, por consequência lógica da oferta e da procura. E para aqueles que deixaram para emitir as passagens depois de 3 a 6 meses da divulgação dessa oportunidade única, a descoberta é de que ficaram presos às opções de uma única cia aérea e seus parceiros, e que as cias aéreas concorrentes agora estão vendendo passagens ao mesmo custo que foi investido em transferência de milhas valiosas do cartão de crédito, pagamentos das mensalidades dos clubes de milhas (porque sim, a pessoa na maior parte das vezes continua pagando).
Quando se descobre que foi trocado 6 por meia dúzia, damos de ombros e nos consolamos com a ideia de que estamos parcelando o pagamento das passagens. Mas lembre que as passagens pagas com dinheiro oferecem o acúmulo de milhas, aí começa a menor das perdas. Mas o que tenho visto mesmo é a volta de muitas promoções de passagens pagas com dinheiro, o que revela uma perda maior ainda.
Você pode contestar o meu raciocínio dizendo que já tinha  maior parte das milhas e que queria usá-las e por isso aderiu a esse tipo de estratégia. Você está certo, mas essa conta só fica vantajosa para você passageiro, quando já existe um saldo (não comprado) de pelo menos 2/3 da quantidade de milhas necessárias para a emissão das passagens.
Faço a mesma crítica quando mesmo sem aderir a clube de milhas, a cia aérea, que antes apresentava um cenário estável (o que conseguimos observar lendo publicações antigas dos blogs especializados), passa a exibir tabelas de milhagens impossíveis e mutantes, falta de assentos para emissão com milhas. Nesses casos, não importa a quantidade de milhas que a pessoa tenha, ou que as milhas tenham validade infinita, o que queremos é poder viajar nas datas que desejamos não é mesmo? Mais uma vez se descobre que o participante transferiu suas milhas para uma cia aérea e ficou preso lá sem conseguir emitir as passagens.
Outra situação que engana a muitos viajantes é a oferta de passagens aéreas baratas, mas com taxas de emissão astronômicas, para as quais poucas pessoas sabem que não são cobradas por todas as cias aéreas, ou que mudam conforme a cia aérea. Ainda hoje, muitas pessoas caem nesses golpes.
Por último, mas sem esgotar o tema, só pra finalizar esse post, que já está bem longo, vamos pensar nos vídeos, stories, fotos e publicações de youtubers, blogueiros e influenciadores digitais, que contratados por cias aéreas, ou brindados por cias aéreas com passagens, às vezes para lugares que nunca iriam se tivessem que abrir a própria carteira, e a mensagem que passam para vocês leitores, seguidores, enfim.
Por óbvio, não é de bom tom criticar aquele que te remunera. Contudo, é sim obrigatório indicar claramente que a avaliação que está sendo feita, com o único objetivo de estimular o consumo, está sendo paga, de qualquer forma que seja, pela cia aérea. Esse é o ponto da minha crítica. Mesmo me incluindo neste universo, e podendo no futuro estar nessa situação, o certo é certo e o errado sempre será errado.
Vou além, ainda que não seja de bom tom criticar a empresa que está patrocinando o post, todos sabemos que nem tudo é perfeito, e nada como a concorrência para melhorar a qualidade dos produtos e serviços. Então, antes de sair comprando uma passagem aérea, aderindo a um clube de milhas, ou transferindo as tão suadas milhas que você acumulou no seu cartão de crédito, pois acabou de ler uma matéria, ou ver um vídeo indicando a estratégia fantástica para viajar quase que de graça, procure outras opiniões. Leia os comentários dessas publicações, leia as regras do clube de pontos, pesquise no site da cia aérea se tem de verdade as passagens que você quer, para pelo menos 2 destinos. Veja o valor das mesmas passagens em qualquer outra cia aérea que também te sirva, e faça as contas de quanto valem as suas milhas na cia aérea e quanto você vai pagar para efetivamente emitir essas passagens.
Muitos dizem que milhas aéreas são um investimento. Eu concordo, mas só para as milhas que eu acumulo no cartão de crédito e as que acumulo em compras on-line, porque para ter essas milhas fiz uma escolha de consumo que normalmente exerceria, independente do ganho. Já os clubes de milhas, nada mais são do que comprar milhas, e nem sempre por valor menor.
Um beijo e até o próximo post.

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Patricia Viaja

Patricia é uma das criadoras do Canal no YouTube "Patricia Viaja" junto com Willian, seu esposo. Moram em São Paulo, capital, e sempre que podem viajam, compartilhando todas as informações sobre a viagem. Saber que as informações ajudam outras pessoas é a maior recompensa.

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